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  CLIENTE É O ALVO DOS
TIMES DE QUALIDADE



A corrida pela melhor prestação
de serviços atrai os esforços das empresas e funcionários de todos
os escalões
.


Extraído do Jornal Zero Hora
ZH Classificados Empregos
Porto Alegre, domingo, 31/03/96

Direitos autorais reservados
ao Jornal Zero Hora.
Por Eleone Prestes


Os tentáculos da exigência a qualidade total atingiram os serviços prestados por empresas de todos os portes e ramos de atividade e levam desde o dono do negócio até a secretária executiva de volta à sala de aula. O ambiente se transforma em laboratório de estudos sobre os novos "medicamentos" descobertos no Hemisfério Norte para curar os maus serviços que espantam a clientela.

Os alunos vivenciam situações reais e sentem na pele as dificuldades enfrentadas pelos funcionários. Os pacientes que merecem mais cuidados são as empresas que operam com grande número de empregados, como as ligadas à saúde. O treinamento das pessoas que vão compor o serviço, principalmente as que trabalham nas linhas de frente, como os vendedores e os enfermeiros, é um dos itens que garantem a excelência do serviço prestado ao cliente. A satisfação desses empregados e o seu preparo são vitais porque, ao contrário da indústria, onde uma peça defeituosa pode ser desprezada ou refeita, o cliente avalia o serviço na hora.

O instrutor do curso Qualidade em Serviços, diretor da Siqueira Campos Associados, Marco Antônio Siqueira Campos, trabalhou dois anos na montagem do curso Qualidade em Serviços que estreou no menu de programas da empresa este mês, com fila de espera. A maioria das empresas, representadas no curso por empregados ou proprietários, tem cerca de dois anos de esforços para implantar programas de qualidade.

A preocupação com sua excelência o cliente não é privilégio do setor privado ou de grandes empresas. Os participantes do curso promovido em Porto Alegre comprovam que também as estatais e profissionais liberais estão de olho no que ocorre no palco da prestação de serviços.

Troca de papéis

P
rofissionais com experiência em times de qualidade sentem na pele as dificuldades em prestar um serviço de nível em atividades simples como de garçons, supervisores e caixas. A vivência transformou a hora do café em uma experiência útil a profissionais que dominam a teoria da qualidade total e trabalham em empresas que já descobriram que o grande diferencial dos anos 90 é a excelência em serviços.

Funcionários necessitam de preparo

O treinamento da mão-de-obra é uma das condições para garantir um serviço de qualidade.

O instrutor do curso Qualidade em Serviços, Marco Antônio Siqueira Campos, ensina que, nas empresas de prestação de serviços, o investimento em recursos humanos é um dos itens fundamentais pelos quais os empregados precisam estar preparados para enfrentar situações imprevisíveis no relacionamento com o cliente. Além do treinamento, o funcionário, motivado e informado da política de excelência em serviços, precisa ter autonomia na linha de frente para resolver problemas sem consultar a chefia.

Entretanto, o volume de recursos destinados à atividade ainda é mínimo, constata o instrutor. Na rede de Lojas Colombo, preocupada em estimular a busca da excelência em serviços, o investimento em treinamento não atinge 1% do faturamento da empresa. A atividade é terceirizada, diz o superintendente regional Dirceu Alfonso da Silva, mas a manutenção do trabalho fica a cargo de uma equipe interna de 11 pessoas, entre psicólogas e pedagogas, que conhecem a cultura da organização.


 
 

A psicóloga e coordenadora do programa de treinamento para qualidade da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Lilian da Veiga Lima, diz que a busca da qualidade em serviços começou há três anos na estatal e é um trabalho voluntário que conta com a participação de quase 50% da empresa por adesão. No período, os funcionários de atendimento da agência Passo D' Areia descobriram quem é o seu cliente. "Hoje, cada funcionário olha para o cliente com vontade de resolver o seu problema", assegura Lilian. A equipe produziu até uma peça de teatro que mostra como conseguiu chegar a esse resultado.

Ao contrário da média, qualidade em serviços na DPaschoal, fundada em 1949, em Campinas, é coisa antiga. Em 1988, a empresa criou o programa Excelência aos 40, já com foco no cliente. Atualmente, opera com um Centro Técnico de Treinamento em Campinas que aperfeiçoa desde uma ferramenta até um serviço que esteja apresentando problemas constantes, diz o técnico de serviços e inspetor de qualidade João Batista Soares Raiher. Se for constatado um problema com um determinado veículo, a equipe de São Paulo vai dentro da montadora para buscar a solução e atender a necessidade do cliente. Na rede DPaschoal, há lojas-piloto, como a filial da Assis Brasil, em Porto Alegre, onde os funcionários recebem treinamento aprimorado e se encarregam da difusão do atendimento de primeira linha. Funcionários de outras lojas vão lá renovar seus conhecimentos.

É importante saber recuperar o cliente

A
cirurgiã-dentista Lídia Maria Sabbadini deu um exemplo prático para os 25 colegas de turma do que os livros de encantamento do cliente e os instrutores dos cursos de qualidade em serviços se esforçam por explicar. Durante o curso promovido pela Siqueira Campos, a aluna viveu uma situação típica. Precisou consertar um mal-entendido ocorrido entre sua secretária nova e uma família de clientes, devido à necessidade de troca de horários e prorrogação da consulta. Cedeu à exigência da paciente e atendeu três pessoas às 6h30min da manhã, duas horas antes de começar a aula. Lídia chegou ligeiramente atrasada, mas com um case saído do forno.

Uma citação de Leonard Berry ensina que se deve fazer certo da primeira vez, em um segundo momento resolver o que não der certo e, finalmente, profetiza: "Não há terceira chance". O esforço de uma organização para transformar um cliente aborrecido em fiel tem passos fundamentais a serem seguidos, conforme o instrutor Marco Antônio Siqueira Campos. O professor lembra o resultado de pesquisas: somente 4% dos insatisfeitos reclamam. Estes podem ser recuperados. Os que não encontram canais de comunicação com a empresa e mudam de prestador de serviço, são clientes perdidos. Portanto, é preciso facilitar a reclamação. Reconhecer e definir o problema mesmo que o cliente não tenha razão.

A correção deve ser feita o mais rápido possível. É preciso dar uma compensação ao cliente se ele foi prejudicado. Tudo resolvido? Não. Ainda falta a certeza que a empresa foi convincente no reparo. E, para não atuar só na conseqüência do problema, é preciso encontrar e resolver a real causa. Uma ação de recuperação malfeita ou de má vontade pode ser pior que não tomar providências, alerta o instrutor.

Qualidade

O que pesa:
A capacidade de fornecer o que foi prometido, de forma segura e precisa
O conhecimento e a cortesia dos funcionários e sua capacidade de transmitir segurança e confiança
As instalações e os equipamentos e a aparência dos funcionários
O grau de atenção e cuidado pessoal dispensados ao cliente
A disposição de ajudar os clientes

Fonte: adaptado de Siqueira Campos Associados