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Seis Sigma e a Organização que Aprende



A questão da organização que aprende é a ordem do dia numa sociedade em que o capital intelectual tem cada vez maior importância. A questão do aprendizado, seja numa escala individual ou corporativa, é hoje um ponto crucial na vida das organizações.

Porém, a definição do que é “organização que aprende” não é uma unanimidade. Todo mundo fala, mas poucos sabem o que significa. Uma das melhores definições que conhecemos é a de David Garvin4: “Uma organização que aprende é aquela habilitada a criar, adquirir, interpretar, transformar e reter conhecimento e, propositadamente, modificar seu comportamento para refletir novos conhecimentos e insights”.

Nesta definição, os pontos chaves são a criação, a aquisição e a transferência de conhecimento. Um dos desafios da organização que aprende é a aquisição do conhecimento e a posterior transmissão do indivíduo, ou de pequenas equipes, para a organização como um todo. Grande parte dos especialistas no tema tem se concentrado na transferência do conhecimento, deixando de lado a aquisição do mesmo.

A questão primária é relativa a obtenção do conhecimento. Como obtemos conhecimento? Como sabemos a preferência do consumidor? Quanto o atraso de um embarque influencia na satisfação do cliente? Qual a abordagem mais eficiente no call center? Diariamente, estamos tomando uma série de decisões, mas quantas destas decisões estão baseadas num conhecimento profundo sobre os processos?

O conhecimento dos processos não deixa de ser uma busca pela verdade e para isto, temos que dar uma olhada no trabalho dos cientistas, que por décadas vem trabalhando em desvendar a natureza e adquirir conhecimento. O ponto chave que tem apoiado a pesquisa científica tem sido o que denominamos método científico, que procura conhecer além do fenômeno, suas causas e leis e é fortemente apoiado nos fatos e dados, experimentação e métodos estatísticos, conforme o modelo representado na figura 1.

figura 1 – Processo interativo de aprendizagem (BOX, George E. P.; HUNTER, William, G.; HUNTER, J. Stuart)

Os métodos estatísticos são adotados sistematicamente no meio acadêmico auxiliando na validação de hipóteses, principalmente no processo de indução. O objetivo dos métodos estatísticos é tornar a pesquisa científica a mais eficiente possível1. Este enfoque fez com que a estatística fosse reconhecida como o método da ciência.

O uso dos métodos estatísticos na indústria ocidental tem uma história de altos e baixos. Vistos muito mais como uma ferramenta, auxiliaram a indústria japonesa e, posteriormente, a indústria ocidental, porém pouco influenciaram no comportamento gerencial e na forma de gestão. A estatística deveria ser vista como um meio para obter conhecimento e aumentar a chance de tomar decisões corretas, auxiliando na obtenção de conhecimento sobre os processos, permitindo ver os mesmos sem preconceitos, opiniões ou pré-julgamentos.

Atualmente, a situação está se transformando rapidamente com a Qualidade Seis Sigma. Esta estratégia tem permitido a disseminação, sem precedentes, de métodos estatísticos por toda organização.
 
 

Além das melhorias no processo e ganhos financeiros obtidos pela redução de perdas, um fator fundamental e algumas vezes esquecido é o gerenciamento por fatos. Este subproduto do Seis Sigma é tão importante quanto os ganhos financeiros proporcionados por ele. Tem influenciado fortemente as organizações para que a tomada de decisão seja baseada em fatos e dados

I
sto tem fornecido um conhecimento verdadeiro sobre os processos e os fatores que o influenciam, de modo similar ao cientista, que procura desvendar a verdade. Para Deming3: “Não existe conhecimento sem teoria. Uma teoria é um modelo mental que implica em uma explicação de eventos passados e uma previsão de eventos futuros”.

Nas áreas de serviços e processos transacionais, fazem sucesso técnicas como Business Inteligence, Data Warehouse, Data Mining, Precision Marketing, Competitive Inteligence, ... Estas e outras expressões da moda significam justamente a transformação de informação em conhecimento, que é baseada em técnicas estatísticas. A informatização dos setores de serviços gerou grandes bases de dados, mas a disponibilização desta informação não significou necessariamente maior conhecimento e qualidade nos serviços. Como bem observa Deming2: “um dicionário contém informação, mas não saber. Um dicionário nunca poderá escrever um parágrafo ou criticá-lo”. Hoje, o grande desafio deste setor é a aquisição do conhecimento, onde muitas perguntas necessitam ser respondidas e alguns parágrafos escritos.

Na era do conhecimento, os métodos estatísticos tem um papel crucial, além de uma poderosa ferramenta, passam a ser vistas como um poderoso método de gestão.

O foco da qualidade está em constante evolução. Passamos pelas eras do produto, dos processos, dos clientes e hoje caminhamos para o foco no conhecimento, através de uma abordagem mais abrangente.


Hoje, se espera que a qualidade nas organizações propicie maior competitividade pelos seguintes pontos:

Redução drástica de custo.
Redução drástica da variação e dos defeitos.
Maior conhecimento das expectativas e necessidades dos clientes.
Maior conhecimento dos processos.
Melhor tomada de decisão gerencial.
Rápida introdução de produtos e serviços, em resposta aos clientes.

Os métodos estatísticos e qualidade Seis Sigma tem tornado isto realidade.

Referências Bibliográficas:

1- BOX, George E. P.; HUNTER, William, G.; HUNTER, J. Stuart. Statistics for Experimenters; An Introduction to Design, Data Analysis, and Model Building. New York, John Wiley & Sons, 1978.
2 - DEMING, W. Edwards. A Nova Economia para a Indústria, o Governo e a Educação. Trad. Heloisa Martins Costa. Rio de Janeiro, Qualitymark, 1997.
3 - DEMING, W. Edwards. Qualidade: A revolução da Administração. Trad. Francis Henrik Aubert et alii. Rio de Janeiro, Marques-Saraiva, 1990.
4 - GARVIN, David A. Learning in Action: A Guide to Putting the Learning Organization to Work. Massachusetts. Harvard Business School Press, 2000