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Por
Yan Boechat

O engenheiro de processos Pedro Tchmola conseguiu
economizar US$ 175 mil por ano para a Kodak do Brasil
sem grande investimento adicional. Com alguns meses
de trabalho duro, uma boa dose de criatividade e
muita análise estatística, Tchmola
percebeu uma redundância no controle de qualidade
da divisão Produtos para a Saúde,
responsável pelos filmes para raio-X. Muitas
vezes, o trabalho era repetido sem resultados significativos.
Com a redução do número de
profissionais no setor e a modernização
de alguns equipamentos, Tchmola fez com que a quantidade
de testes caísse 75%.
Pedro Tchmola é um Black Belt (faixa-preta).
Faz parte de uma elite que nos últimos anos
vem ganhando espaço e poder nas empresas
de todo o mundo e que, agora, estão prestes
a se transformar em coqueluche também no
Brasil.(...)
Baseada em poderosas análises estatísticas
e empregada por profissionais habilitados para resolver
os mais intrincados problemas, o Seis Sigma se propõe
a chegar próximo da perfeição.
Ou seja, 3,4 defeitos para cada milhão de
operações, sejam elas na área
de manufatura, sejam na administrativa. Por meio
dos dados estatísticos, os Black Belts vão
cercando a falha até o que a provoca e fazem
a correção. Chegar ao Seis sigma é
conseguir atigir 99.9999998% de produtos perfeitos.
Hoje , estima-se, a maior parte das empresas está
no nível Três Sigma, o que significa
60 mil defeitos por milhão.
Jack Welch, o todo poderoso CEO (Chief Executive
Officer) da GE, atribui ao Seis Sigma o sucesso
da companhia nos últimos três anos,
o melhor período da sua história em
um século. Só em 1999, projetos ligados
ao Seis Sigma proporcionaram uma economia de US$
2 bilhões para a GE. A Motorola garante que
em pouco mais de 10 anos conseguiu deixar de perder
mais de US$ 11 bilhões. Na Kodak brasileira,
onde o programa está em operação
há três anos, foram economizados US$
15 milhões.
Não há nada de propriamente novo
no Seis Sigma . As ferramentas utilizadas, em especial
as detalhadas análises estatísticas,
já são conhecidas há muitos
anos. Profissionais como os Black Belts também
já exitiam, mas não de uma forma estruturada.
Toda companhia tem seu engenheiro que volta e meia
resolve problema. O novo é o uso da metodologia
como prática generalizada em toda a empresa.
É novo também o papel dos profissionais.
Hoje o trabalho de encontrar soluções
se transformou em carreira, e bem valorizada.(...)
Não sem razão, nos Estados Unidos
os faixas-pretas têm sido disputados a tapas,
stock options e gordos salários. Uma rápida
visita aos principais sites americanos de recrutamento
deixa claro como estes profissionais estão
valorizados. Invariavelmente, o número de
vagas abertas para Black Belts está cravado
em três dígitos por site. |
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No
Brasil, ainda que lentamente, começa-se
a observar o mesmo movimento. Até poucos
meses, Black Belts eram profissionais exóticos
encontrados em meia dúzia de empresas.
A partir do final do último ano, dezenas
de companhias no Brasil se empolgaram com os resultados
dos faixas-pretas e e entraram em corrida alucinada
para ter seus próprios solucionadores de
problemas. (...)
A Divisão de
Spicer Cardans da Dana Sistemas Automotivos entrou
de cabeça no Seis Sigma. Contratou a Siqueira
Campos, empresa especializada em formação
de Black Belts, e está treinando 10 profissionais
para serem os primeiros faixas-pretas da Dana
em todo o mundo. "Nós somos os primeiros
das mais de 300 divisões da Dana a empregar
o Seis Sigma", afirma Jader Hilzendeger,
gerente geral de operações da Divisão
Spicer Cardans Mercosul da Dana. A empresa vai
investir US$ 100 mil neste primeiro ano com o
treinamento de seus funcionários. "a
partir de agora, o Seis Sigma será a lanterna
na popa do nosso barco", afirma Hilzendeger.
A Dana quer, dentro
de pouco tempo, ter casos de sucesso como da divisão
de Lâmpadas Fluorescentes da General eletric
no chile. O índice de defeitos nos tubos
de vidro matriz de onde saem as lâmpadas
era altíssimo. No momento do resfriamento,
uma boa parte trincava e se perdia. Depois de
uma análise detalhada de dados estatísticos,
um Black Belt descobriu que a pressão do
gás vindo da rua não era uniforme.
Regulou a pressão em todas as saídas
e conseguiu reduzir para quase zero o número
de defeitos, garantindo uma economia de alguns
milhões de dólares.
A Dana, a exemplo da
GE, também pretende formar seus Black Belts
em casa e não vai ao mercado contratar
ninguém, pelo menos a curto prazo. Praticamente
todas as empresas brasileiras estão fazendo
o mesmo, assim como fizeram as enpresas americanas
quando embarcaram no Seis sigma. Mas, numa carreira
na qual se mede o sucesso pelos resultaados fianceiros,
em pouco tempo as companhias brasileiras devem
repetir uma prática que agora ganha corpo
nos Estados Unidos: contratar "headhunters"
para buscar os melhores faixas-pretas. "É
um mercado que vai começar a pegar fogo
em pouco tempo, são profissionais muito
valorizados", afirma Reinaldo Vasconcelos,
gerente geral de Sistemas de Qualidade na área
de Manufatura da Kodak.
Perder profissionais
da área custa caro. em média, uma
empresa desembolsa entre US$ 10 mil a US$ 15 mil
para formar um Black Belt. O curso dura cerca
de um ano e meio. Talvez o que seja mais importante,
porém, é que o profissional fica
a par de todos os pontos vulneráveis da
companhia. (...) |
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